26 de julho de 2017

mundo cão

     "o filme tem que ter diálogo", disse Marcos Jorge antes de começar aquela última sessão de inverno do CineCafé. "tá", pensei. "é verdade, mas a história é sobre cachorros... acho que não vai me acrescentar muita coisa". 
     o roteirista sai do palco, a luz é apagada e o longa-metragem começa. o filme se passa nos subúrbios de são paulo, onde Santana (babu santana), casado e pai de dois filhos, trabalha num centro de controle de cães chamado zoonoses (carrocinha). Santana, que mora no bairro Santana e dirige um Santana 2000, é um cidadão educado; comum. respeita a esposa, brinca com os filhos, toca bateria e vai para igreja aos domingos. num certo dia de trabalho, Santana e seu colega capturam um rottweiler que perambulava numa escola e levam o cão perdido para o centro de controle. antes de ser sancionada a lei que proíbe o sacrifício de animais abandonados, os cães capturados pela carrocinha eram sacrificados após 3 dias da captura - caso o dono não aparecesse para buscá-los. dessa forma, depois de três dias, os funcionários do zoonoses sacrificaram o dito cujo. tarde demais, o dono do animal chega e se depara com a cena do bichinho de estimação morto. Nenê (lázaro ramos) era um ex-policial de temperamento fortíssimo que, ao ver o cãozinho embalado numa sacola, culpa Santana das regras do zoonoses e ainda o ameaça de morte. acreditem em mim, esse é só o começo. no decorrer da história ainda tem sequestro, perseguição e jogo do Palmeiras. claro, tudo com um toque -moderado- de humor brasileiro. como não pretendo soltar nenhum spoiler, termino a sinopse (resenha?) por aqui mesmo. 
     acho que este é um bom momento para contar o nome da obra: Mundo Cão (2016) -que de cachorro não tem quase nada. o filme é apenas um reflexo da própria realidade e nos faz refletir sobre os nossos valores e princípios, não os dos personagens. "quem é o vilão e quem é o mocinho da história?" é apenas um das várias reflexões que a trama traz. 
     ao fim dos 122 minutos de filme (tem cena pós-créditos!), as luzes foram reacendidas e o diretor do filme volta ao palco. (esse foi o 4° longa-metragem de ficção de Marcos Jorge e já ganhou dezenas de prêmios em todo o mundo. inclusive, será regravado por chineses!). uma mão se levanta. o microfone vai até o homem de meia-idade. "boa noite, Marcos. primeiramente, parabéns pelo filme. achei muito legal. gostaria de saber sobre (...)" e começam as discussões sobre os aspectos sociais, éticos, culturais e técnicos do filme. hora ou outra, Marcos Jorge soltava um "sou muito orgulhoso disso" quando se referia a alguma cena e ele realmente tem muito do que se orgulhar, afinal, seu trabalho fez jus à arte que o cinema é. o roteirista nos contou sobre a "temperatura emocional das cenas",  sobre como roteiros devem ser uma "obra literária", sobre o realismo nos detalhes e depois até revelou algumas referências (como o caso da Eliza Samudio e um documentário dos anos 60 que corria o mundo gravando coisas bizzarras, por exemplo).
     já no final da discussão, dois caras da plateia levantam as mãos. "somos recém formados em cinema, você pode dar um conselho pra gente?". silêncio. Marcos reflete um pouco e começa: "você precisa de três coisas: talento, persistência e resiliência". e isso acabou abrindo uma pequena discussão sobre as diretrizes do cinema no Brasil. "ser roteirista é um risco. é preciso lutar muito por aqui". não é preciso ser cinéfilo para reconhecer a grandiosidade de Mundo Cão, até porque, como o próprio Marcos Jorge disse "uma história pode ser local, mas alguns assuntos são universais". no fundo do fundo, todo mundo é igual e é por isso que alguns temas são relevantes para toda e qualquer pessoa - seja no Brasil, seja na China -, afinal, o mundo é mesmo um cão pra todo mundo.


obrigada, Marcos Jorge, pelo diálogo que a sua obra nos trouxe. 

12 de maio de 2017

inflamação aguda ou crônica da mucosa do estômago


pensar no que não tenho
pensar no que tive.
pensar no que nunca terei
pensar no que teria

pensar nas chuvas que não choveram
pensar no desespero.

pensar em você
pensar no leite que ainda não derramei
pensar no que dizer
pensar em quê?

pensar nas árvores
pensar na liberdade
pensar naquele bolinho
pensar no que estão pensando...
pensar no quadro verde
pensar no cartão postal
pensar no próprio poste
pensar no que poderia ter dito
pensar nas ovelhas perdidas
pensar nos times
pensar no azul

pensar no amar
pensar em mim
pensar sobre pensar
pensar no fim.

pensar nas incertezas
pensar no amarelo

pensar em quem disse que
pensar nos pássaros é
pensar sem nenhum limite.
pensar menos quando perceber que
pensar deveras é uma baita gastrite.





                 
                                                                                             

6 de maio de 2017

de onde vêm os abacaxis - parte 1

perdão, mas isso é urgente. improrrogável. não porque você possa perder alguma coisa se não ler isso, no entanto, quando mais cedo compreender a essência do texto, mais cedo perceberá o tanto de tempo que você, na verdade, já perdeu. 

às vezes, erramos. 
ou melhor, erramos numa média de, hummm, infinitas vezes por hora. não tem média. o ser humano é pra lá de imprevisível. mas, errar não é, necessariamente, lá um grande problema. ou talvez nem mesmo seja um problema. afinal, na grande maioria das vezes, os problemas são definido pela maneira com que nós lidamos com eles. 
então o que temos em mãos quando erramos? oh, nada menos do que a grandiosa oportunidade de aprender com os nossos próprios erros! me digam se não é um grande alívio quando aquela situação chatinha se resolve e você percebe que da próxima vez que aquilo acontecer você já vai saber o que fazer? ou quando descobrimos que nem tudo é o fim do mundo! ah, é bom mesmo que o mundo não tenha acabado porque choveu no dia do meu jogo ou porque eu perdi um trabalho importante. já vou avisando: isso não chega nem perto de ser algo relacionado ao otimismo.
entender as coisas de uma determinada maneira antes mesmo de se deparar com elas é ser racional, apenas. claro, é bastante divertido, por incrível que pareça, ser racional. mas esse divertimento na razão está longe de ser um simples otimismo. não é bem lógico que a nossa visão das coisas defina a maneira como vamos lidar com elas? e não é obvio que a maneira como vamos lidar com as coisas determine a influência que elas terão sobre nós? a gente até que fica bastante feliz quando se dá conta disso porque é a partir daí que percebemos que o passou, passou. 
o importante agora é o que virá ou o que vou fazer da próxima vez em que me deparar com uma situação relativamente problemática., e, bem, acho vou querer pensar melhor da próxima vez que isso acontecer.

sinto-lhe em dizer que esse sentimento de leveza e contentamento não dura por muito tempo.

***

17 de março de 2017

eu odiava
sentar para começar um texto e perder as ideias. 
me sentia insuficiente diante da úncia coisa que sabia fazer mais ou menos bem...
porém, quando ideias começavam voltar - pouco a pouco - 
eu podia jurar que estava alguns metros acima do céu.


25 de janeiro de 2017

hoje é terça ou quarta?

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o que realmente importa -MCP pg. 84-86

O intelecto cultivado é grande tesouro;
sem, porém, a suavizante influência da compaixão e do amor santificado, não é ele de grande valor.
...todo ato de justiça, misericórdia e benevolência produz melodia no Céu.
Devemos esquecer-nos a nós mesmos, sempre à espreita de oportunidades - mesmo em coisas pequeninas - para mostrar gratidão pelos favores recebidos de outros, e estar atentos para observar oportunidades para animar outros, confortando-os em suas tristezas e aliviando-as as cargas por mostras de terna bondade e pequenos anos de amor.  -3T 539 e 540 (1875).

24 de janeiro de 2017

questões do vácuo existencial #algumnúmero

a gente espera que algum dia possa entender.
que seja para ter a compreensão de algum conceito ou de por quês aleatório da jornada vital.
mas a gente espera que seja logo, pois mesmo um por quê aleatório é necessário de ser entendido com pressa.
por que, então, com pressa não entendemos tudo?
a gente espera que algum dia possa entender...

mcp pg.79 (tarefa exigente)

Ele pergunta a esses instrutores impetuosos:
"É esta a maneira em que tratais as almas pelas quais dei Minha vida?
Não tendes em maior estima o infinito preço que paguei por sua redenção?".
-4T 419 (1880)

20 de janeiro de 2017

indescanso do eu

adormeço com inseguranças;
e sonho com os meus medos.
o meu sol é cinza
e meus sonhos são pesadelos...

28 de novembro de 2016

no mundo corporativo não há espaço para ser legal.
por isso, sucesso é quando alguém se dá bem no mundo corporativo
e ainda consegue ser legal.

18 de outubro de 2016

Amarelo

O centenário coelho que dorme debaixo da sua cama me visitou hoje de manhã.
Ele parecia um pouco desapontado.
Além da costumeira lamentação pelo preço da cenoura brasília, 
derramou algumas lágrimas ao lembrar da torta de banana de Filomena.
Nessa visita, seu Alfredo também me contou uma história sobre os Gerônimos da TV Tupi
recitou o poema das sete faces sete vezes.
Como seu Alfredo me fez rir! Desta vez ele inventou de me ensinar valsa... 
Tropecei nele tantas vezes que mal pude contar. Deve ser porque coelhos, mesmo os idosos, costumam dançar mais rápido dos que os humanos. 
Pobre Alfredo, já nem enxerga direito...
Mas ainda enxerga coisas que mais ninguém vê.
Ele sempre comenta algo sobre xantofobia e da gentinha que sofre disso.
Fico muito reflexiva quando ele vai embora.
Antes de sair de casa, o ancião me entregou um envelope cor-de-abóbora.
Aconselhou-me a não abrir na frente de ninguém e saiu...

Quando a chegou hora cacau-da-Bahia, fui ter com meus botões.
Sentei na grande poltrona com o envelope embaixo do braço e nas mãos uma bandeija com mamão papaia.
Deixei a bandeja no encosto da poltrona e peguei o invólucro.
Ele tinha um cheiro doce.
Abri.
Qual não foi a minha surpresa ao encontrar dentro daquele envelope muitos
mas, muitos e muitos mosquitinhos dourados!    
Estava junto um breve poema.

“O tempero de açafrão
Tem a doçura do mel.
Pois, enquanto você sorrir,
Amarelo será a cor do céu”.

Ô, seu Alfredo. Você não pode ter vindo debaixo de uma cama.
Ah, seu Alfredo, se o seu dono fosse assim...


5 de outubro de 2016

Assunto: GOOOOOOD MORNING, VIETNAM!!!‏

De: Julie Grüdtner (julie_grudtner@hotmail.com)
Enviada:quarta-feira, 5 de outubro de 2016 11:55:59
Para:Mirian Montanari Grüdtner (grumon_grumon@hotmail.com)
Bom dia, mãe! Estou planejando fazer meus trabalhos da facul nos primeiro dias do feriado, pretendendo estar livre até quarta-feira. Você vai querer me ajudar! São trabalhos do tipo assistir a documentários e filmes interessantes, entrevistar o prefeito e gravar reportagens. Vai ser massa. 
Ah, falando em massa, quero aproveitar o tempo livre para melhorar os meus dotes culinários! Pode apostar que vai sair muita coisa boa daquela cozinha. Até cogitei a ideia de começar um caderninho de receitas, o que você acha? #prontapracasar #sqn
Não podemos nos esquecer de discutir sobre o meu intercâmbio. Possibilidades, ideias e planos precisam ser pensados!
Por enquanto é isso, aguardo sua resposta ansiosamente.

Obs. O assunto deste e-mail é o nome de um filme com o Robin Williams muuuuito maneiro! O papai vai amar.

"Se vogliamo che tutto rimanga com'è, bisogna che tutto cambi." -Tomasi di Lampedusa

ARRIVEDERCI!

Re: contato e requerimento‏

De:Mirian Montanari Grüdtner (grumon_grumon@hotmail.com) Este remetente está na lista de contatos.
Enviada:quarta-feira, 28 de setembro de 2016 12:38:44
Para:Julie Grüdtner (julie_grudtner@hotmail.com)
Really?? To ouvindo desde sábado 2h a day de English.  Arrivederci!   Te amo!! E-mail do papis: gilson.grudtner@ucb.org.br

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