8 de novembro de 2018

a visita do dragão de incomodo


que haja movimento quando eu te incomodo é de se esperar.
mas, é isso grande coisa? pois apenas vejo como uma lei da física universal.

o que me intriga é qual a lei
que explica essa sua inércia,
se foi quando te deixei parado
que você começou a andar

você é raro como dragão de komôdo na Paulista
e tão comum quanto incômodo na lombar de gente velha

para que se esconder no seu próprio fingimento
se seu esconderijo fica no meio do deserto?

sossega um pouco, sai desse sol
entra aqui em casa, tenho sombra de sobra

só não se incomode com a bagunça,
isso, na verdade, é arte

pode deixar seus tênis ali do lado daquela mesinha marrom,
vou pegar uma limonada.
é tão deleitável ter você por aqui!
posso te mostrar o resto da casa?

aqui é a sala de estar,
e ali é a cozinha
tá vendo aquele quadro?
comprei de um senhor chamado Acaso

ele fica sentado na esquina da rua o dia inteiro
até  parece que não se cansa de viver.
já ouvi alguns relatos sobre ele
porém, compartilhar do incerto não me convém.

virando ali na frente, tem dois banheiros, um de frente pro outro
lá na lavanderia tem mais um.
eu sei, tamanha luxúria é uma baita desnecessidade
para tal casa do tamanho de um caroço de abacate
bem, o arquiteto que planejou deveria estar um pouco cansado, vamos combinar:
ninguém aguenta viver de lógica o tempo inteiro!

à propósito,
depois me diga se gostou das cores -
isso é de ímpar crucicalidade para mim.

se você continuar por esse corredor, chega no meu quarto.
como sou moça decente, não pretendo deixá-lo entrar
tudo bem pra você? pois se o incomoda, o que lhe sugiro é partir.

eu sei que parece exagero 
que tal voltarmos para a sala?
não que tenhamos percorrido longa distân..hum? aquela porta? 

ah

rs

é so um espaço com coisas
até gostaria de lhe mostrar, mas deixa pra uma próxima vez.

nada pessoal… 

vem, vamos sentar antes que a limonada esquente,
temos muito o que conversar.

que cara é essa?
parece angustiado
é so pelo calor que está tão avermelhado?

o que o preocupa?
você não pode controlar a situação solar.
algumas coisas são só fora de mão mesmo...

venha aqui do meu lado -
pode até fechar seus olhos.
me conte dos seus medos
não precisa nem pensar.

fale com mente o que vai além de um simples murmúrio 
se seu coração anseia por amor, no que se explica o negar?
me mostre essa sua bagunça, dragão incomum, 
que eu lhe prometo colocar tudo no seu devido lugar.

*****

sem fim, mas sem começo também.
dragão é dragão
não tenho muito mais o que falar...

30 de agosto de 2018

Alegria no boteco do Silva (segunda edição, parte II)


mas o que importa é que agora ele vai lá todas as noites beber um Bacardi para esquecer do passado  – como se beber realmente fizesse alguém esquecer de alguma coisa.

Bem, agora chegou a minha vez de conhecer o Silva.
______________________________________________________________

O que estou prestes a descrever acontece neste mesmo instante.

Sexta-feira, 31 de agosto de 2018.

Essa é a terceira vez que visito um boteco. Primeira vez que vou intencionalmente e segunda em que não é uma festa de casamento. Ele fica no fim de uma rua sem saída no bairro mais perigoso da cidade, o que me deixa receosa para entrar. Sei que aqui não é o lugar ideal para meninas de família, mas conhecer o Silva se tornou meu propósito de vida. Você vai entender o porquê.  

Olhado de fora, o boteco não é muito grande, mas olhando aqui de dentro parece um pouco maior. A luz daqui é um pouco avermelhada e a música (eletrônica, por sinal) está extremamente alta. Mal consigo escutar meus próprios pensamentos, mas não posso me esquecer do que vim fazer aqui. Vejo pessoas dançando em jaulas, barristas chacoalhando um pequeno container prateado e, meu deus, aquele cara está de sunga?

Dou meus primeiros passos em direção a.... qualquer lugar. Não faço ideia de como agir para não parecer de fora. Decido ir ao banheiro. Vou retocar o batom que acabei de passar. Isso. Ótimo.

Chego no banheiro e vejo três moças. Duas segurando o cabelo da terceira, que vomita. Isso é que o chamam de amizade verdade hoje em dia, não é? Rindo, uma delas me pede para passar alguns papeis toalha. Entrego e dou um sorrisinho sem graça. “Valeu”. Após me agradecer, continua dando risada da amiga. Não sei se essa amizade é tão verdadeira assim.

Saio do banheiro vou um pouco perdida para o bar. Pergunto do Silva e o barbudo aponta para os fundos. Dou meia volta e vou em direção a um túnel de cimento. um. pouco. estreeeeito, mas ok. alguns caras passam as mãos nas minhas pernas e cintura. Sinto um grande desgosto. Suspiro. Sigo em frente.

A música já está quase inaudível e o túnel finalmente acaba. Vejo alguns caras reunidos ao redor de uma mesa. Em cima da mesa está uma velha caixa de papelão onde dados vermelhos rodopiam rapidamente.


------------------------ continua.

escuro


o escuro

eu só queria que fosse noite o dia inteiro.
que meu caos pudesse cantar por mais tempo e
e que em cada esquina pudesse escrever poemas de amor.

a rua de noite é muito mais bela.
há graça na solenidade da neblina,
na sutileza das árvores e no suave baixar do orvalho.

à noite há o renascer de vidas passadas
e as vidas que não existem dominam nossas percepções.
quem não ama sonhar?

inclina-se o submisso, fraqueja o da mente vazia e tropeça o pecador,
entretanto, no escuro eu apenas vejo melhor.

14 de agosto de 2018

Alegria no boteco do Silva (segunda edição, parte I)

Felicidade nos Dedões do Pé

felicidade é uma coisa engraçada.
coisa, na verdade, nem é né, já que coisa a gente consegue pegar com a mão.
no caso da felicidade,
estimado amigo,
ela é quem pega a gente.

não me pergunte se é com a mão, pois acho que é com o dedão do pé.
felicidade é uma coisa engraçada, de fato.
__________________________________________________________

de: um conhecido
para: o estimado amigo

Saudações, estimado amigo. Escrevo-lhe com dor no coração e profunda angustia pois cometi grande equivoco ao escrever Felicidade nos Dedões do Pé. Aquilo foi uma visão muito limitada, um tropeço na minha percepção do real. Não justifico por razão alguma, mas defendo que fui pego de jeito pelo parasita da ignorância. Você sabe. Hoje somos uma pessoa, seis meses depois somos outra. Quem sabe quais ideias irão prevalecer? 

Ultimamente tenho experienciado novas aventuras do cotidiano e posso dizer que já não vejo mais a felicidade como antes. Abaixo trago meus motivos de maneira ilustrada. Deixe o concreto de lado e boa leitura.   

''antes pensava assim, que quem estava encarregado de nos fazer feliz era puramente a felicidade.
tomar decisões seria somente pra fazer a gente se sentir importante.
.
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I. Indicativos
I.I Primeira Conjugação do Futuro do Pretérito

a. num cenário paralelo, nossas alegrias seriam sorteadas.

b. num cenário paralelo, nossas alegrias seriam sorteadas pelos dados do Acaso.

c. num cenário paralelo, nossas alegrias seriam sorteadas pelos dados do Acaso numa velha caixa de papelão nos fundos de um boteco.

I.II Primeira Conjugação do Presente, Alguns Gerúndios e Outros Tempos Verbais 

quase desacordado, o boêmio vai se escorando de cadeira em cadeira até chegar à mesa de apostas.
suas mãos estão sujas de dinheiro roubado, seu rosto está irreconhecível de tanto que apanha, seus olhos já não brilham mais pois lhe falta de fé. 

fé. a única vez em que viu algo sobre isso foi quando leu no para-choque de um caminhão "Fé em Deus pois Ele é justo". Vira e mexe Acaso conta no boteco como viu esse caminhão de tomate se chocar contra um eucalipto. Furdúncio, o motorista, bebia pinga demais.

ninguém sabe exatamente por onde andam os pés do Acaso - ele prefere não contar o que faz fora do boteco. Beltrana, sua vizinha mais próxima, me contou uma vez que já o vira jogando bola no campinho. será? nunca se sabe se há verdade no que esses vizinhos de periferia dizem, eles são muito carentes por atenção e adoram jogar conversa fora com qualquer retardado que passa por aí. este retardado geralmente sou eu.

seu Acaso tem uma história bem infeliz. filho de um pai que nunca conhecera e de uma mãe que só via de vez em quando. conheceu somente seis dos nove irmãos: um gêmeo, um filho do pedreiro da esquina, outro filho do gerente do loja de conveniências e três que na verdade só acha que são seus irmãos porque m o mesmo sobrenome - da Silva Junior. a falta de criatividade que esse povo tem é inacreditável .

o filho da puta, por assim dizer, pelo menos tinha casa. durante a infância morou numa dessas ruas 0 com avós e móveis mofados, mas mudou-se para bem longe quando virou pai. antes da mudança,  tinha na sala dois sofás e uma TV com tocador de fita onde assistiu bastantes vezes os mesmos filmes. na cozinha, em frente à corroída mesa de madeira, ficava um fogão à lenha desses que a sua vó também deve ter em casa. o fogão do pequeninho Acaso cheirava a arroz queimado e a café preto.

no banheiro era onde ficavam guardados os remédios de hipertensão do avós e as fraldas geriátricas. os enormes rolos de papel higiênico (ou pequenos rolos de papel  toalha, isso é um detalhe que, sinceramente, me tira noites de sono) estavam sempre meio molhados. deveria ser muito desconfortável se limpar com eles

antes de mudar para bem longe, seu Acaso levava a vida igual aos seus irmãos: empinava pipa quando não estava jogando bola e roubava na feira quando não estava empinando pipa. cresceu malandro, se tornou pai aos 15 e detento aos 19.

nunca quis estudar, nunca trabalhou por mais de quatro meses no mesmo lugar. a culpa é de quem, meu Deus?
mas foi assim que aconteceu, 'não há nada que eu pudesse ter feito', disse ele certa vez.

 e era assim que Acaso da Silva Junior levava a vida:  levando mesmo. antes dos 28,  a única coisa que o fez chorar de alegria foi sair da prisão. fora isso,  chorava para se defender. no julgamento alegou que não nunca vira o corpo da mulher jogada no Rio Pilões, mas seus olhos não mentiam tão bem quanto a sua boca. 

da Silva Junior viveu de passividade por muito tempo, 
ficava sozinho e não ligava pra companhia.
sua vida era levada pelo vento, aceitava tudo que acontecia.

como se tornou dono do boteco, ninguém sabe. alguns dizem que roubou do irmão gêmeo

---------------------- continua.

24 de janeiro de 2018


  • Os grandes silêncios devem ser evitados. Levam a um sentimento comum de mal-estar. Afaste-se educadamente, dizendo que já vem (e não volte).
                                                  - O pequeno livro da Etiqueta e Bom Senso, pg. 32

18 de janeiro de 2018

para você que confunde verduras e legumes


VERDURAS

Alface

As verduras são tipos de plantas em forma de folhas e flores que são comestíveis. Normalmente, as partes comestíveis das verduras são as flores, botões, folhas ou hastes. Elas também costumam ser chamadas de hortaliças, pois normalmente são plantas cultivadas em hortas.
- baixo teor de carboidratos e de calorias. 
- pouca durabilidade,
 - é aconselhável o consumo de verduras em estado cru para que elas não percam muitas das suas propriedades.

Exemplos de verduras

Na tabela abaixo encontramos alguns dos principais exemplos de verduras:
Alface 
Agrião
Rúcula
Acelga
Couve
Couve-flor
Brócolis
Espinafre

LEGUMES 

legumes

Os legumes se caracterizam por serem vegetais que podem ter seus frutos desenvolvidos tanto na parte exterior da terra como abaixo da terra.
Eles são compostos pelas raízes, tubérculos, frutos e caules. 
- tempo maior de duração para o consumo.
- partes comestíveis: frutos, sementes ou raízes
- podem ser consumidas de diversas formas: cruas, cozidas, fritas, no vapor, etc.
Os legumes possuem categorias que, dependendo da sua classificação, podem chegar até 20% de carboidratos. As categorias são:
Frutossão vegetais, em sua maioria salgados, que contém sementes. 
Raízesvegetais onde a parte comestível cresce debaixo da terra.
Tubérculosé uma espécie de raiz que armazena uma determinada quantidade de nutrientes energéticos. 
Leguminosasespécie de grãos que se encontram dentro de vagens. 
Cereaissão compostos por sementes ou grãos. 
Oleaginosas: sementes com alto teor calórico. 

Exemplos de legumes 


CategoriaTipos de legumes
Frutos  Abóbora, Berinjela,Chuchu, Tomate, Pepino
RaízesBeterraba, Cenoura, Mandioca, Cebola
TubérculosBatata-Inglesa
LeguminosasFeijão, Grão de Bico, Ervilha, Soja
CereaisArroz, Trigo, Milho
OleaginosasCastanha-de-caju, Castanha-do-pará, Nozes, Amêndoas

Frutas não são legumes!

fruta e fruto

 

É comum haver alguma confusão entre as frutas e os frutos. Ambos possuem algumas diferenças importantes quanto às suas funções e constituições.
fruto tem sua origem do ovário maduro das flores, que após o processo da fecundação, desenvolve-se de maneira a dar os frutos, que tem como função principal proteger as sementes e as auxiliar em sua dispersão.
Já a fruta não possui um significado botânico e é o nome popularmente designado às partes suculentas e adocicadas que se originam das flores, mas que nem sempre se desenvolvem do ovário.
Desta forma, os frutos comestíveis (classificados como legumes) são aqueles que possuem menor teor de açúcar em comparação às frutas.
Quando essas estruturas suculentas se formam de outras partes da flor, são denominadas de pseudofrutos. No caju, por exemplo, a parte suculenta desenvolve-se do pedúnculo de uma única flor, e o fruto é a castanha.

Portanto, a principal diferença entre as verduras e os legumes está na identificação da parte comestível da planta. Por exemplo, nas verduras a parte comestível se restringe as folhas, flores e hastes. Por outro lado, nos legumes a parte comestível são os frutos, raízes e sementes.
Fonte: Significados

17 de janeiro de 2018

sentido adulterado


era como se o meu eu se escondesse de mim.
porém, descobri que ele estava nas borboletas do meu estômago e nos alfinetes debaixo da cama.
todas as limitações estavam em me sentir conformada demasiadamente.
isso foi tão significativo para mim que convidei toda a vila para comemorar, inclusive os irmãos da igreja e os do manicômio - que são os mesmo irmãos.
mas o festejo foi um tanto complicado. (o que não é, afinal?)

eis o problema: não me interessava ouvir as músicas até o fim, entretanto, eu me deliciava nos trinta primeiros segundos de cada canção. uma pena o quarteto não ter entendido isso.
eis o que fiz: organizei os convidados para jogar a "dança da mesa" - um jogo onde cada pessoa deveria arrumar uma mesa de acordo com o ritmo da música, em trinta segundos. logo, cada partida durava 30 segundos, tempo de cada música durar somente o tempo que eu queria.

é, quando as coisas não saem como o esperado, a gente precisa dar um jeito.

mas, não foi só isso.

meus irmãos tinham ido para a celebração de olhos fechados.  isso os impediu de ouvir o que eu tinha a dizer.
não consegui perceber se em algum momento eles entenderam o que eu disse - o que foi muito frustrante. de nada adiantou meu belo discurso, e sabe, despir o seu eu é compartilhar o que de mais  precioso existe na gente!
 ah, se pelo menos um deles tivesse me ouvido...

foi quando descobri o motivo da desatenção.
era uma pintura

como pode alguém ter olhos abertos para pinturas e fechados para o despir da alma?
a diferença estava no que se despia em cada atração.
mas eu não podia fazer nada por eles,
então saí.

foi culpa da explicitude da pintura?
não posso garantir, pois não há culpa sem alguém para assumi-la.
porém, se de uma coisa eu tenho certeza, é que o explícito adulterou o sentido do despir.


histórias que descem pelo vaso: conto piloto de Túlia e os Treco

é uma pena que algumas ideias fiquem para trás
no banheiro e no parque

essas seriam as ideias de melhor expressão
mas elas ficaram para trás
no banheiro e no parque

da mesma forma, algumas ideias são como as fezes:
elas ficaram para trás,
no banheiro e no parque.

e agora um poema: a doçura amarga da madruga descarga

eu fiz xixi bem baixinho
para não acordar o casal
mas a descarga pareceu um trovão

(aqui acaba o poema, mas continua a história)

vocês não se assustam?
é como se tudo parecesse mais alto de noite

"minha doce amada, quem está no nosso banheiro?"
- pergunta o recém-casado Bartolomeu
"oh, meu bem, não ouvi nada e a luz está apagada"
- responde a recém-casada Cleudete

Bartolomeu se levanta e vai ao banheiro.
Ao abrir a porta, se depara comigo enquanto lavo as mãos.

"o que você veio fazer na minha casinha a esta hora da madrugada, senhorita Túlia?"
Respondo com um olhar sereno e um pouco envergonhado:
 "xixi..."
"oh, Tulinha, quantas vezes já te disse que não se pode fazer xixi na casa dos outros
às 3 da manhã!"
Então me dou conta de que Bartolomeu realmente me dissera aquilo várias outras vezes.
"perdão, sr. Treco. mas acontece que essa sua descarga é alta demais."
"sim, querida Túlia, planejo arrumar isso aí esta semana."

nos despedimos e vou embora pela porta dos fundos, por onde entrei.

Bartolomeu volta para cama e senta, reflexivo
"o que foi, amado?" - indaga Cleudete
"esta já é a quinta vez do mês que encontro a Túlia em nosso banheiro"
"está tudo bem, querido, ela é apenas um pesadelo"

a caminho de casa, olho para trás e vejo Sra. Treco consolando seu esposo.
só então entendo a doçura amarga do erro que foi fazer xixi na casa dos Treco: eles não têm dinheiro para arrumar a descarga.

sobre a relatividade

não leia em voz alta.
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Os lobos estão te espreitando agora...
Você pode fechar os olhos, mas, não feche, ok?
Enquanto você lê essas palavras, os lobos se aproximam sorrateiramente.

É outono, época de colher maçãs.
Os lobos desejam suas maçãs.

Maçãs tantas que você cultivou ao longo do amo. Não é justo que eles usufruam de tal empenho.
"Então o que é justiça?" -perguntam os lobos, pois eles se comunicam através da sua consciência.
Os lobos mantêm os olhos arregalados, como se, a qualquer minuto, algo de extraordinário estivesse para acontecer.
Eles esperam por um espetáculo.
Você é apenas uma macieira, o que de tão fenomenal pode acontecer?
"Eu não sei o que é justiça" - você replica.
De certa forma, você ainda sabe mais do que eles.
"Talvez justiça seja cada um usufruir das suas próprias maçãs" - você complementa.
Os lobos retrucam: "justiça não parece deixar o mundo um lugar ideal, uma vez que nem todos podem cultivar maçãs... "
Você fica confusa: "o que pode fazer do mundo um lugar ideal?''
E os lobos gritam: "Todos dividirem o que têm!"
... o silêncio paira por um instante.
"Então justiça é dividir?"
"Justiça é não fazer para os os outros o que não gostaria que fizessem a você''
''Então não roubem as minhas maçãs." - você termina

Não feche os olhos, macieira, existem muitos lobos por aí. 

voe, menina

voe, menina.
a meta não é a estrela?
então não volte.

voe, menina.
alongue suas asas
pois o caminho é longo.

o vento pode ser forte
mas não se deixe abalar
sua coragem é do tamanho do céu

haverá dias cinzentos e noites solitárias
mas, sorria, doce menina
sorria para si mesma
e sorria para quem não sabe sorrir

voe, menina
a vida está prestes a começar.
olhe para frente
o que está por vir é melhor do que passou.
você acredita em mim?

***

voe, menina.
diga para o seu passado que ele é tarde demais.
voe para onde quiser,
e lembre-se de que o alento da sua ferida é dizer não.

você sonha como uma jovem mulher
cujo coração anseia por recomeços
porém, suas lutas são ainda de menina.

então, voe

voe para seus sonhos de mulher
pois sonhar é pra quem já não aguenta mais ficar no chão.

#9 Wasted Time Cannot Be Brought Back

“It’s not at all that we have too short a time to live, but that we squander a great deal of it. Life is long enough, and it’s given in sufficient measure to do many great things if we spend it well. But when it’s poured down the drain of luxury and neglect, when it’s employed to no good end, we’re finally driven to see that it has passed by before we even recognized it passing. And so it is – we don’t receive a short life, we make it so.” 
                                                                        
                                                                                                                                        – Seneca

We are all guilty of wasting a massive part of our lives on things that don’t matter. I’m guilty. You’re guilty. Everybody’s guilty.

From: NjLifeHacks 

5 de janeiro de 2018

Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
                                                – Fernando Pessoa 

3 de janeiro de 2018

Do you know why you should not quit college? We have the answer. Better. The wise sloth has.

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I didn´t tell you to stop
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almost there
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