4 de maio de 2016

um conto sobre os pássaros

uma vez eu quis fugir da miséria que sou, mas senti uma força me puxando pra baixo...
meus pés estariam numa cor roxa esverdeada caso física fosse a força.
ela me insistia um serviço de escravidão aos pássaros.
'força maldita e desrespeitosa!', gritei por dentro, 'pássaros já não são uma boa cia, quanto mais bons senhores.'

...mas desejei voar como eles...

malditas sejam as barras de chocolate também. tenho plena convicção de que os pássaros comem chocolate e roem as unhas.
mal sabia eu que estava servindo os pássaros somente pelo desejo de voar como eles.

havia ninhos espalhados por cada canto do meu quarto e eu desejei colocar fogo em todos eles, mas a força me deixou compassiva.
essa compaixão era irreal.

cega já estava eu, pois os pássaros bicaram todos os meus campos de visão. (eram mais que dois!)
então pensei 'do que adiantam os campos de visão se nem mesmo há algo de tão belo para apreciar?' -pois o mundo é uma perdição de ilusões.
mas continuei procurando algo de digno nessa vaga existência.

certos minutos mais tarde, encontro mães
e encontro o amor.

o amor despreza egoístas.
-melhor dizendo, os egoístas desprezam o amor.-

...desejei amar as pessoas...

me dou conta de que os pássaros estão partindo aos poucos,
e essa percepção os leva de vez.

me senti feliz como um rinoceronte.

'obrigada, Jesus, pelas mães e pelo amor.
obrigada, Jesus, por ter tirado os passarinhos daqui.
obrigada, Jesus, pelos rinocerontes.'

então caí num sono profundo e sonhei que todas as pessoas se amavam.
no sonho eu era um gigante careca.
acordei rindo muito porque fui careca desde que nasci até os três anos de idade
e hoje sou gigante

o dia que seguiu aquele sonho foi o melhor dia 53 de março de 1200...



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