10 de dezembro de 2014

Nosso rolê p1 - antes DA CONVERSA

E aí, jovens cadangos! Venho de longe para contar sobre uma das aventuras que tive por aqui esse ano.
Sou daquele tipo de gente que leva adrenalina muito a sério, sabe, e as vezes eu acabo passando dos limites. Na verdade, eu não gosto muito de limites. Prefiro ver a vida com pontes nas nuvens, escadas infinitas, passagens secretas e asas.
Se o céu é o limite, o céu é meu chão...
Avoada como sempre e com o senso de liberdade na cabeça, combinei com dois amigos de "fugir" do residencial durante a noite e encontrá-los do lado do muro da lavanderia. Assim aconteceu e o lugar que escolhemos como destino foi a igreja! Que tipo de adolescente normal foge de casa pra visitar uma igreja? Essa é a questão, não somos adolescentes normais. No ano passado, um pessoal fez isso e avacalharam bastante. Levaram bebida, drogas e fizeram um monte de coisas erradas.
Não só por ser cristã, mas não vejo o porquê de fazer tudo isso. Claro que já senti vontade de beber e tudo mais, só que eu tenho um cérebro e algo chamado vergonha na cara. Não pretendo morrer cedo e levar uma vida em vão. Mas esse não é o ponto. Não agora.
{Voltando a história...}
Chegamos na igreja e fizemos um culto. A igreja estava toda decorada com artigos natalinos e, por mais que estivesse escuro, lá dentro estava lindo! Conversamos um monte de coisas, como o quanto queremos dedicar nossa vida a Deus e o quanto queremos ajudar o próximo. Fizemos um juramento de consagração dedicando nosso presente e futuro a Deus e oramos. Oramos sobre nossa família, futuro, relacionamentos e também para não sermos pegos. Depois da oração um dos meninos (amigo1) lembrou de um verso que está em Mateus 18:20 que é Deus falando "onde 3 estiverem reunidos em MEU nome, lá estarei". Deus estava conosco, eu tenho plena convicção disso.
Até que ouvimos um som. Eram passos na igreja. Desliguei a lanterna e o amigo2 desceu de onde estávamos para ver o que era. Não encontrou nada e voltou. Não descartamos totalmente a possibilidade de ter alguém ali porque depois vimos um cara, parecendo um entregador de pizza, passando lá fora. Passaram uns 5 minutos e voltamos ao nosso culto. Escrevemos dois bilhetes. Um com o verso de Mateus 18:20 que colocamos no púlpito e outro colocamos na árvore de Natal. Não lembro direito do que estava escrito, talvez algo como "o melhor presente que Deus pode te dar Ele já te deu" e no verso escrevemos as nossas iniciais. Nisso ainda eram umas 3:30 horas da matina. Aí saímos da igreja e fomos dar uma passada no módulo para ver se o carro da ronda estava lá. O amigo1 foi na frente e quando voltou disse que ouviu uns passou muito perto dele. Saímos correndo né! Nosso próximo destino foi o campão e depois de um tempo dando umas voltas lá partimos pra cozinha. Hahahahaha tudo o que posso dizer é que um batman foi encomendado!
Num resumo do enfim, deu 6 horas da manhã e fomos pro desjejum como se nada tivesse acontecido, mas, ah, essa madruga será a lembrança que ficará na minha memória como o melhor rolê. Sabe, tem coisas que não adianta contar, só quem foi sabe o quanto é boa essa liberdade e a sensação de um IASP só nosso por 5 horas. É possível se divertir sem prejudicar ninguém.

SÓ QUE NÃO PAROU POR AÍ

Algumas coisas acontecem sem razão imediata, não é mesmo?  Nosso rolê foi na segunda-feira e ontem (terça-feira) alguém contou pro prepa Daniel dos meninos que fugiram. Em momentos algum falei que foi mais gente além de mim e dos amigos. Foi, mas eles não ficaram com a gente.
Alguns meninos já foram chamados na sala do prepa e não sei ainda no que deu. Só sei que a prepa voltou a fita da câmera e descobriram de mim e das outras meninas também. Sim, tinham mais meninas também, mas ela não ficaram com a gente. Imagino a reação delas ao verem eu e as outras pulando pela janela... Deve ter sido engraçado...
Pois bem, agora estou indo pra casa almoçar rapidinho e só Deus sabe que horas vão nos chamar para conversar. Estou com a consciência limpa, sabe, sei que não fiz nada de errado e vou responder com sinceridade tudo que me perguntarem.
Claro que eu não queria ter sido descoberta pois pretendia fazer isso mais vezes, mas como está escrito ali em cima: "algumas coisas acontecem sem razão imediata". Talvez numa fugida eu me deparasse com um assaltante ou um urso. Sei lá. A certeza que eu tenho é de que valeu a pena cada roxo que ganhei na perna com essa fugida e que cada segundo na igreja fez aprofundar a minha relação e a dos meninos com Deus. Foi uma boa visita e uma boa maneira de fechar o ano no internato. Por enquanto...

[continua]

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