17 de setembro de 2012

Flores, Cartas e Balas de Morango



Oi gente! Bom, aí vai uma história que eu acabei de escrever. Eu gostei muito, espero que vocês gostem :)

Flores, Cartas e Balas de Morango

Estávamos no pátio da igreja. Nossos pais conversavam sobre a morte da minha tia-vó.           Eles não paravam de comentar sobre como era boa sua comida. De repente, a filha do casal que conversava com meus pais veio falar comigo. Seu nome era Clara. Provavelmente ela estava vindo falar comigo para me consolar pela morte da minha tia-vó, que na verdade eu nunca conheci. Enfim, fiquei feliz por ela estar vindo falar comigo.
Enquanto ela vinha na minha direção, eu ensaiava o que diria. Ela era linda, por dentro e por fora. Seu andar era meio desengonçado de um jeito bonito, como se fosse elegante ser desengonçada. Ela tinha cabelos castanhos claros, bem cacheados nas pontas, e liso em cima. Seus olhos não eram verdes, azuis, nem cor-de-mel, eram simples, mas os simples mais lindos que já vi. Eu senti como se conhecesse ela há muito tempo, sendo que nunca trocamos uma palavra sequer. Fiquei tão iludido com aquela beleza indescritível, que acabei não percebendo que ela caíra no chão, mas na hora que percebi, fui logo ajuda-la. 
Estendi minha mão direita para levanta-la e ela a apertou ao ser puxada para cima. UAL! Foi nosso primeiro contato físico, me lembro como se fosse hoje! ‘’Obrigada!’’ disse ela, ‘’de nada’’, respondi. Aquele pequeno diálogo abriu as portas para uma conversa curta e descontraída que me fez concluir que ela era a mulher da minha vida. Tudo bem que eu tinha só 10 anos, mas eu já me imaginava casando com ela... ...Eu ainda imagino isso.
Pena que a conversa durou pouco, eu poderia ficar umas três horas ali com ela.
Quando fomos nos despedir, ela me ofereceu uma bala. Ela disse que era como se fosse um ‘’presente de agradecimento’’ por eu a ter ajudado. Claro que eu aceitei a bala, era do meu sabor preferido, morango.
No outro dia, nos encontramos na escola. Sentamos juntos e conversamos o recreio inteiro.
Isso se repetiu muitas vezes, e começamos a nos falar cada vez mais, mas o que eu achava estranho, era que ela sempre me oferecia uma bala de morango quando íamos nos despedir.
O tempo se passou e chegamos ao Ensino Médio. Para minha total tristeza, descobri que ela faria o E. M. em lugar bem longe dali, onde os pais dela diziam que os estudos eram melhores. Ela admitiu que não queria ir para lá e que queria ficar por causa de mim, já que éramos quase irmãos, mas mesmo assim, ela se foi.
Nos despedimos na porta do ‘’check in’’ do aeroporto. Eu não conseguia acreditar que talvez fosse nossa última despedida. Odeio ter que lembrar dela virando as costas... Mas gosto de lembrar que nos seus dois primeiro passos, se virou e volto para me oferecer uma bala de morango.  Não entendi o porquê daquilo, mas mulher é assim, cheia de mistérios. Eu agradeci a bala e disse ‘’tchau’’ mais uma vez, só que esse ‘’tchau’’ foi seguindo de um beijo no canto dos lábios. Sim, foi meio proposital. Ela se virou mais uma vez e me lembro de vê-la se virando para mim o tempo todo com os olhos encharcados. Isso me emociona às vezes.
Cheguei em casa, tirei meus tênis e me joguei na cama. Tentei imaginar como seria o Ensino Médio sem Clara... Não foi legal. Poxa, ficamos juntos o fundamental inteiro e agora que chega a parte mais legal da escola, ela vai embora. Como imaginar o Ensino Médio sem a Clara me fazer sorrir? Como imaginar o Ensino Médio sem a Clara pra ‘’zuar’’ comigo nas aulas? Como imaginar o resto da minha vida sem aquele lindo sorriso pra me fazer rir à toa... Eu não conseguia imaginar minha vida sem Clara, ela era a minha vida.
Mas eu não podia me prender naquilo, então fui me distrair jogando um pouco de PSP. Fui tentar lembrar onde ele estava e lembrei que no dia anterior Clara tinha ido lá em casa me ajudar a arrumar meu quarto e ela tinha guardado meu PSP em uma gaveta especial que continha coisas que nós dois gostávamos como figurinhas do álbum ilustrativo do Angry Birds. Fui até a gaveta, e qual não foi a minha surpresa ao ver que ela estava cheia de balas de morango! Na mesma hora eu fui escrever um e-mail para Clara, falando tudo o que eu sempre quis dizer desde que a vi. Eu escrevi tanta coisa que cheguei a pensar que ela teria preguiça de ler, mas eu não conseguia mais conter a minha vontade de dizer para ela o quanto eu a amava.
E assim enviei o e-mail.
Esperei alguns dias, e nada de resposta. Suspeitei que ela ainda não tinha internet. Mas, o tempo foi passando e comecei a achar que ela até tinha internet, mas não queria responder o e-mail.
Tentei ligar, enviar cartas, mas nenhum retorno. Eu já não tinha mais esperanças se ela se lembrava de mim. Foi quando recebi uma ligação. Do outro lado da linha era a mãe de Clara. Eu quase não conseguia entender o que ela dizia. Eram tantas lágrimas que chegavam a atrapalhar as suas palavras. Só se saíam ruídos como ‘’ela morreu, ela se foi’’. Ou não, não eram ruídos, eram as próprias palavras. Eu não queria acreditar no que tinha acabado de ouvir. Só então eu tive plena certeza que seu e-mail nunca seria respondido, que minhas ligações nunca seriam retornadas e que todo o meu amor fora por água abaixo. Minha melhor amiga morreu eu nunca realizarei o desejo de ter com ela mais que uma amizade.
Acabei nem indo no seu enterro, pois eu não podia aguentar ver a minha felicidade ser colocada em baixo da terra.
Todos os sonhos, todos os planos, todos os desejos foram e vão. Tudo acabou.
Eu senti uma leve brisa na cabeça. O dia estava acabando, e minha vontade de viver também. O que seria de mim sem minha melhor amiga? Só me restavam lembranças... ...E algumas balas de morango. Eu não sabia mais o que fazer. Cada dia que passava eu desejava mais estar perto dela. Tínhamos uma longa história pela frente, mas, não são todas as histórias que terminam com um ‘’felizes para sempre’’. Mesmo assim eu tinha que me conformar que a vida é assim. Você cai pra se levantar mais forte. Sendo assim eu continuei. Continuei a vida... Continuei com meus estudos... Continuei a fazer as coisas que eu gostava de fazer com Clara, mas agora tinha que fazer sozinho.
Concluí meus estudos e comecei uma nova vida, mas todos os dias eu ia ao túmulo de Clara, aos prantos, lamentar aquela perda, e a cada visita, deixava flores, cartas e balas de morango.
 by Julie Grüdtner

3 comentários:

  1. Julie! Adorei sua história, pena que não acabou muito bem...mas adorei o jeito que você escreve prende as pessoas, continue assim!
    Prabéns!!

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  2. NOSSAAAAA!! Amei, amei, um dos melhores textos que eu já li, quase chorei kkkkkkkkkkk

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