24 de setembro de 2012

Vultos


Um nó em minha cabeça resume o que está acontecendo.
Não vejo nada além de vultos.
Tento me misturar, mas não consigo entrar no ritmo.
Fico parada vendo tudo passar.
Então noto que um para e me observa.
De repente todos param e me observam, ou melhor, observam minha solidão, mas só observam.
Eles apenas me rodeiam.
Avaliam a cor dos meus olhos, a cor do cabelo, a estrutura física, mas nenhum se importa com o que está dentro de mim.
Acho que não fui o suficiente.
Eu chorei, por dentro e por fora. Olharam-me.
Eu gritei, por dentro e por fora. Ouviram-me. 
Então parei, mas os vultos já estavam indo embora.
Voltaram a correr.
Me vejo sozinha, outra vez.

(Julie Grüdtner)



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